Plano A

Lucro Presumido — o que muda para você

Para quem vende curso, mentoria, comunidade ou e-book · Atualizado em 4 de agosto de 2026

Esta página é só para quem está no Lucro Presumido. Se você está no Simples Nacional, a conversa é outra — veja a página do Simples.
A resposta curta

Sua carga sobre faturamento tende a subir — mas menos do que se fala, e não de uma vez. O tamanho do impacto depende quase inteiramente de quanto dos seus custos gera crédito.

Preferimos falar disso agora do que em janeiro. Esta página explica o mecanismo, mostra a curva real ano a ano e aponta as alavancas que você tem.

O que muda e o que não muda
TributoHojeA partir de 2027
PIS e CofinsCumulativos — 0,65% + 3,00% = 3,65% sobre a receita, sem direito a abater nadaExtintos. Substituídos pela CBS, na casa dos 8,5%, mas com direito a crédito
ISS2% a 5% conforme o municípioMantido integral até 2028; reduz em degraus de 2029 a 2032; extinto em 2033
IBSNão existe0,1% em 2027 e 2028; começa a subir só em 2029
IRPJ e CSLLPresunção sobre a receitaSem alteração. A reforma mexe no consumo, não no lucro
Distribuição de lucrosIsenta na pessoa físicaIRRF de 10% acima de R$ 50 mil/mês — mas isso não é reforma do consumo, é outra lei. Veja a aba 7
O que 2027 é e o que não é. Não é o salto para 27%. É a troca de 3,65% cumulativos por cerca de 8,5% com direito a crédito, enquanto o ISS continua integral. O aperto maior vem entre 2029 e 2032, quando o IBS começa a subir — e aí o ISS já está caindo em paralelo.
O mecanismo em uma frase

Você sai de uma alíquota baixa sem crédito para uma alíquota maior com crédito. Se você compra muito de fornecedores que geram crédito, isso se compensa. Se o seu maior custo é folha de pagamento, não se compensa — salário não gera crédito.

A alíquota sobe em degraus, não em um salto

É o mal-entendido mais comum. Quando alguém fala em 27%, está falando do fim da transição, em 2033.

AnoCBSIBSIVA totalISS ainda vigente
20260,9%0,1%1,0% teste, sem recolhimentointegral
20278,5%0,1%8,60%integral
20288,5%0,1%8,60%integral
20298,5%1,85%10,35%9/10 do valor atual
20308,5%3,70%12,20%8/10
20318,5%5,55%14,05%7/10
20328,5%7,40%15,90%6/10
20338,5%18,50%27,00%extinto
De onde vêm esses números. São os parâmetros da calculadora oficial da Receita Federal — CBS de 8,5% e total de 27% no sistema completo. Nenhum é definitivo: quem fixa as alíquotas de referência é o Senado, em 2027 para a CBS e 2029 para o IBS. As estimativas para a CBS em 2027 vão de 8,5% a cerca de 9,4%; o Ministério da Fazenda trabalhou com 8,8% em 2024.
Ao somar, não esqueça do ISS. Entre 2027 e 2032 você paga o IVA e o ISS. Olhar só a coluna do IVA subestima a conta. O simulador soma as duas coisas ano a ano.
Um exemplo para dar dimensão

Empresa de serviços digitais, faturamento de R$ 300 mil por mês, ISS de 3%, com R$ 120 mil por mês em fornecedores que geram crédito cheio:

AnoIVA menos créditoISSTotal no mês
HojeR$ 10.950 PIS/CofinsR$ 9.000R$ 19.950
2027R$ 15.480R$ 9.000R$ 24.480
2029R$ 18.630R$ 8.100R$ 26.730
2031R$ 25.290R$ 6.300R$ 31.590
2033R$ 48.600R$ 0R$ 48.600
Números ilustrativos, não a sua conta. Servem para mostrar o formato da curva: o primeiro ano é um degrau moderado, e o peso vem ao longo da transição. Rode o simulador com os seus números reais — o resultado muda bastante conforme a origem dos seus custos.
O crédito é a sua principal alavanca

No sistema novo, o imposto que veio embutido no que você compra pode ser abatido do que você deve. É novidade para o mercado digital, que historicamente tinha custo sem nenhum aproveitamento.

Mas não é qualquer nota que gera crédito cheio. Depende do regime do fornecedor.

De quem você compraCrédito geradoExemplos no nosso mercado
Lucro Presumido ou Real, com notaCheioPlataforma, gateway, ferramentas e SaaS nacionais, agências, prestadores PJ maiores
Simples NacionalReduzido, quase zeroEditor de vídeo, copywriter, designer e gestor de tráfego que sejam ME ou EPP
MEIPraticamente nenhumFreelancers em geral
Equipe CLT e pró-laboreNenhumSalário e encargos não geram crédito
Sem nota fiscalNenhum—
Este é o ponto que mais surpreende. Muita gente monta a operação com freelancers MEI e prestadores no Simples justamente porque sai mais barato. No sistema novo, essa mesma cadeia gera quase nenhum crédito — e o que parecia economia vira carga.
Anúncios e ferramentas de fora do Brasil

Anúncios no Meta, Google Ads, ferramentas de automação e SaaS contratados de empresas estrangeiras entram na regra de importação de serviço: quem paga o imposto é você, o adquirente brasileiro — e esse mesmo valor gera crédito, já que você está no regime regular.

Para quem investe pesado em tráfego pago, isso é relevante nos dois sentidos: entra como custo tributário novo, mas volta como crédito.

O exercício que define tudo
Pegue os seus custos dos últimos 12 meses e separe em três pilhas: fornecedores fora do Simples com nota, fornecedores no Simples ou MEI, e pagamentos sem nota (incluindo folha e pró-labore). A primeira pilha é o seu potencial real de crédito.

Regra de bolso: se a primeira pilha for menos de 20% da sua receita, o impacto tende a ser significativo. Se passar de 40%, boa parte se compensa. O simulador calcula isso com os seus números.

A alavanca existe e é sua. Formalizar fornecedores ou migrar parte da cadeia para prestadores fora do Simples muda a conta. Mas é decisão de negócio, não só fiscal — o custo direto do fornecedor também muda. Vale simular antes de mexer.
Onde a sua operação se encaixa
Se a sua operação…TendênciaPor quê
Gasta muito com plataforma, tráfego pago, ferramentas e prestadores fora do SimplesImpacto amortecidoBoa parte do custo vira crédito e abate o imposto devido
Tem equipe própria com carteira assinada como principal custoImpacto maiorSalário e encargos não geram crédito nenhum
Trabalha com freelancers MEI e prestadores no SimplesImpacto maiorCrédito quase nulo, mesmo tendo nota fiscal
Vende para empresasRepasse mais fácilO comprador aproveita o crédito, então o aumento no preço é economicamente neutro para ele
Vende só para pessoa físicaRepasse mais difícilCada real a mais no preço sai do bolso do aluno
Vende para alunos no exteriorFavorávelExportação não paga CBS nem IBS e você mantém o crédito das compras
Tem catálogo real de e-booksFavorávelLivro digital é imune — e a reforma até fortaleceu essa proteção
O caso mais crítico do mercado digital
Operação com equipe interna grande vendendo para consumidor final. É a combinação que mais sente: o maior custo não gera crédito, e o aumento não pode ser repassado sem perder venda. Se é o seu caso, comece a olhar isso agora — as alavancas existem, mas todas demandam tempo: revisar a estrutura de custos, avaliar o mix entre CLT e prestadores PJ, e reprecificar com antecedência.
O caso mais confortável
Operação enxuta, com muito tráfego pago e prestadores PJ, vendendo B2B ou para o exterior. Aqui o crédito absorve boa parte do imposto novo e o repasse é viável. Em alguns cenários o sistema novo chega a ser melhor do que o atual — vale confirmar no simulador antes de comemorar, mas a direção é favorável.
Vale reavaliar o regime?

Se você fatura até R$ 4,8 milhões por ano, sim — vale refazer a conta entre Simples e Presumido.

O motivo é direto: o Presumido de serviços é justamente o perfil que mais sente o sistema novo. Uma comparação feita há dois anos pode estar invertida hoje.

O que mudou na comparação
  • Antes: o Presumido ganhava do Simples em muitos cenários de serviço, porque PIS e Cofins cumulativos somavam só 3,65%.
  • Agora: essa vantagem some. A CBS entra com alíquota bem maior, e o crédito só compensa se a estrutura de custos for favorável.
  • Do outro lado: a carga do Simples foi preservada por lei até 2033. Quem está lá tem previsibilidade que o Presumido não tem.
Mas cuidado com a conclusão fácil. Migrar de regime envolve muito mais do que a carga sobre faturamento: IRPJ, CSLL, folha, distribuição de lucros, limite de faturamento e a própria previsibilidade do negócio. E o Simples tem a sua própria questão — o crédito limitado que você passaria a transferir aos seus clientes que são empresas.
A janela

A opção pelo Simples para 2027 é feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, no Portal do Simples Nacional — a mesma janela em que os optantes do Simples decidem sobre o regime híbrido.

Onde entramos nisso. A análise e a decisão são da sua empresa. O nosso papel é explicar como cada caminho funciona e responder o que ficar em aberto. Uma comparação completa entre regimes é um estudo específico, que envolve bem mais do que a reforma — se fizer sentido para o seu caso, conversamos sobre o escopo.
Preço "por dentro" e preço "por fora"

Hoje o imposto está embutido no preço. Você anuncia o curso por R$ 997 e o ISS, o PIS e a Cofins já estão ali dentro — o aluno não vê.

No sistema novo, o imposto passa a ser calculado por fora: primeiro se forma o preço, depois o tributo incide sobre ele e aparece destacado na nota.

É aqui que muita gente vai errar. Quem continuar aplicando a mesma fórmula de markup vai calcular o imposto sobre uma base diferente da que a lei manda e comprimir a própria margem sem perceber. Não é ajuste de percentual — é troca de fórmula.
Essa parte é sua. Só você conhece a sua margem, o seu posicionamento e o quanto o seu público suporta. Se a dúvida for sobre como montar a conta, explicamos a mecânica — mas a definição de preço é decisão comercial.
Contratos que precisam de revisão

Contratos firmados antes da entrada em vigor dos impostos novos continuam válidos, mas a carga sobre o objeto muda. Sem ajuste, você absorve o custo sozinho.

Vale revisar todo contrato com prazo superior a 12 meses — mentoria anual, comunidade com plano longo, contrato corporativo, licenciamento:

  1. Cláusula de reequilíbrio. Se houver instituição ou majoração de tributos sobre o objeto do contrato — inclusive CBS e IBS — o valor se ajusta para preservar a remuneração pactuada. Precisa de menção expressa a CBS, IBS e a tributos que venham a ser criados.
  2. Preço redigido por fora. "Valor de R$ X, acrescido dos tributos aplicáveis" em vez de um valor total fechado.
  3. Split payment. Prever que a retenção do tributo no momento da liquidação não caracteriza inadimplemento nem pagamento a menor.
  4. Documentação fiscal idônea. A parte que não destacar corretamente os tributos impede o crédito da outra — vale prever responsabilidade por isso.
Revisão de contrato é trabalho jurídico. Podemos apontar o que precisa entrar do ponto de vista fiscal, mas a redação é com o seu advogado.
Split payment e o seu caixa

Está previsto um mecanismo em que o imposto é separado automaticamente no momento em que o cliente paga: você recebe o valor líquido e a parte do tributo vai direto para o governo.

Situação em agosto de 2026: a implantação começa em 2027 de forma gradual e opcional, restrita a operações entre empresas. A própria Receita Federal reconheceu publicamente que a ferramenta não estará totalmente pronta em janeiro. A expansão para vendas ao consumidor final vem depois, sem data definida.

Por que isso importa mesmo estando longe. Se hoje você usa o intervalo entre receber a venda e pagar o imposto para girar o caixa — comprar tráfego, pagar equipe, financiar um lançamento — esse intervalo vai encurtar. Não é urgente agora, mas entra no planejamento de 2027 e 2028.
Não é reforma do consumo — mas cai na mesma conversa

A Lei nº 15.270/2025 mudou o Imposto de Renda e vale desde 2026. Afeta principalmente quem tem faturamento alto com pró-labore baixo e distribuição alta — perfil comum no mercado digital.

O queRegra
Isenção do IRPFRendimentos mensais até R$ 5.000 ficam isentos, com redução gradual do benefício nas faixas seguintes
DividendosIRRF de 10% sobre lucros e dividendos pagos a pessoa física residente, no que exceder R$ 50.000 por mês
Altas rendasTributação mínima anual para rendimentos acima de R$ 600 mil
A conversa de pró-labore e distribuição mudou. Sócio que retira mais de R$ 50 mil por mês em dividendos tem um custo novo. Calendário de distribuição e composição entre pró-labore e dividendos merecem revisão — com cuidado, porque ajuste feito só para escapar da regra costuma dar problema depois.
Se é o seu caso, traga o assunto para a conversa. É um dos temas em que a diferença entre planejar e improvisar aparece rápido.
Suas datas
QuandoO que aconteceExige algo de você?
AgoraAno de teste. Os impostos novos já aparecem nas notas com alíquota simbólica de 1% que ninguém paga.Levantar números
Ago a dez/2026Prazos técnicos de nota fiscal em andamento, já alterados algumas vezes.Não, é conosco
1 a 30/09/2026Janela de opção pelo Simples para 2027, se fizer sentido reavaliar o regime.Se aplicável
Out a dez/2026Janela confortável para reprecificar e revisar contratos.Sim
01/01/2027PIS e Cofins acabam. CBS entra na casa dos 8,5%. Split payment começa, opcional e entre empresas.Não, é conosco
2029 a 2032IBS sobe em degraus, ISS cai em paralelo. É quando a carga aperta.Acompanhar caixa
01/01/2033Sistema completo. ISS extinto.Não
Checklist de agosto a dezembro

Agora

  • Custos dos últimos 12 meses separados em três grupos: fornecedores fora do Simples com nota, fornecedores no Simples ou MEI, e pagamentos sem nota (incluindo folha e pró-labore).
  • Percentual do faturamento vindo de empresas, de consumidor final e do exterior.
  • Alíquota de ISS do seu município.
  • Rodar o simulador com esses números, testando ao menos dois cenários de alíquota da CBS.
  • Separar produtos na zona cinzenta entre livro digital e curso — a classificação muda o tratamento.

Até dezembro

  • Reprecificar na lógica de imposto por fora.
  • Revisar contratos com prazo maior que 12 meses.
  • Avaliar a estrutura de fornecedores, se o crédito estiver muito baixo.
  • Revisar a política de distribuição de lucros à luz da Lei 15.270/2025.
  • Projetar o caixa de 2027 considerando a antecipação do recolhimento pelo split payment.
Se algo não fechar ou não fizer sentido, é só nos chamar. Explicar como cada caminho funciona e tirar as suas dúvidas faz parte do nosso trabalho com você — a análise e a decisão são da sua empresa.
Continue por aqui
  • Simulador ano a ano — a carga estimada em cada ano da transição, com o ISS somado.
  • Guia completo — o que paga o quê por tipo de produto, plataformas, coprodução e vendas para o exterior.
  • Dúvidas frequentes — respostas diretas para as perguntas mais comuns.
  • Calendário — todas as datas até 2033.